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Pois é... Abri a Janela

Ainda vivo porque não passava das 10 horas da manhã. Sozinho no mundo, sem pai nem mãe, então, nesse momento enchi os pulmões com ar puro, assim, cuidadosamente olhei pela janela do quarto, as pernas querendo esticar, naquele instante alguns raios de sol atingiu violentamente a porta do quarda-roupa, e assim, portanto, comecei a fiscalizar o ferrolho alto da porta. Antes de qualquer coisa percebi que seria uma manhã terrível. A maionese do dia anterior começou fazer efeito, olho fundo, fui sumindo aos poucos, não dormia e nem comia. Imagina uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça, então, foi assim que começou uma onda de azar. Cambaleando, dentro do quarto, fazia muito calor, no entanto, a gaveta estava aberta, as roupas jogadas de qualquer maneira, apesar dos pesares, a semana estava só começando. Então, ajeitei o ventilador, debrucei-me no travesseiro, olhei pela janela novamente, observei uma nuvem solitária que deslocava lentamente sem direção. Posso garantir que era a tal nuvem negra procurando outra vítima. Cada minuto que se passava o calor aumentava, portanto, algumas gotas de suor começaram a escorrer pela testa e ai até o pescoço. Fiquei no chão virando de um lado para outro. Sim, aquele quarto era realmente uma prisão sem grade. Olhei para o chão alguns segundos, por qualquer razão, avistei o corpo inanimado da barata que estava logo ali estirado debaixo da cama. Nessa hora sacudi a cabeça, por um momento fiz uma pausa, era óbvio que estava morta há muito tempo. No começo estranhei aquele inseto morto. É horrível. Um ar de dúvida sombreou o meu rosto, talvez pudesse ter o mesmo destino. Pelo menos, espero que não, não posso ter o mesmo final infeliz. Já era tarde para lamentações e não deixei levar pelo ocorrido. Mas geralmente supõe que nada destas coisas vai acontecer com você. Senhor proteja todas as baratas. Olhei para o inseto novamente, com certeza não poderia dar o desprezo de ignorar a barata. Coloquei as mãos sobre a cabeça, fiz uma ligeira pausa, como toda tragédia, bem não precisa explicar, então, a cortina da janela mexeu lentamente. Em seguida apareceram várias formigas ao seu redor, depois começou arrastar o inseto, num supremo esforço, levou de um lado para outro. Por um momento as formigas pareciam desorientadas. Por isso, usava todos seus artifícios possíveis para tentar passar debaixo da porta. Enfim, eram muitas formigas lutando pela sobrevivência. Faltava meia hora para almoço, não estava com a menor fome, ouvi duas mulheres rindo e conversando sem parar. Naquele instante, conclui que seria mais fácil ficar nesse quarto trancado. Como tática pensei ler um livro. Realmente nessa hora ainda poderia ter voltado atrás. Mas nessa altura do campeonato, não tive um momento de vacilação sequer. Minha vida nunca foi fácil. Depois certo tempo, graças a Deus ainda há felicidade e continuo aqui e daqui ninguém me tira.

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